The Last of Us 2 é um dos jogos mais esperados de 2020, e finalmente chega ao mercado no próximo dia 19 de junho, depois de alguns adiamentos. O mundo pós-pandêmico apresentado no primeiro título da série continua, e mostra tanto a evolução dos infectados quanto dos humanos "saudáveis" e a construção de diferentes grupos e sociedades. Se a primeira parte tinha Joel como protagonista, dessa vez Ellie assume esse papel, e o usuário pode experimentar uma personagem mais rápida e ágil, o que ajuda bastante no gameplay. A série também voltou ainda mais violenta do que antes, com muita atenção aos detalhes do cenário e às mutações apresentadas pelos infectados.

Em relação à história, a Naughty Dog traz diversas surpresas e reviravoltas, mostrando diferentes perspectivas das decisões tomadas ao longo da trama. O TechTudo testou o segundo game da série The Last of Us, exclusivo para PlayStation 4 (PS4), e mostra a seguir mais informações sobre aquele que pode ser o jogo do ano.

Quer comprar consoles, jogos e outros produtos com desconto? Conheça o Compare TechTudo

História

Evitando spoilers, é possível dizer que o enredo surpreende bastante. O jogo mostra diferentes perspectivas, e o usuário se vê em diferentes lados ao longo da história. É natural ter uma torcida pela protagonista, mas em muitos momentos essa lealdade é confrontada. O que nos resta é seguir com o jogo para saber o que acontece. Vale dizer que a história está muito bem amarrada, e todos os detalhes importam. Portanto, fique atento a tudo.

Há muitos flashbacks que explicam falas e ações anteriores ao momento atual do jogo, e vale a pena colocar um headset ou headphone, apagar as luzes do ambiente e ter essa experiência com foco total no que está acontecendo. Desde os sustos com algum infectado até o choque com as revelações, todas as sensações do game estão bem interessantes.

O jogo se passa quatro anos após os acontecimentos do primeiro título da série. Para quem não jogou o The Last of Us original, pegar a história no meio pode ser complicado, mas a continuação é bem autossuficiente. De qualquer forma, a dica é conhecer a primeira parte para entender todas as referências. Vale lembrar que é justamente a partir dos acontecimentos da reta final desse clássico que todo o enredo de The Last of Us 2 se desenvolve.

O contexto do jogo é um Estados Unidos pós-pandêmico, em que humanos infectados por um fungo até então desconhecido tiveram partes do cérebro modificadas – uma espécie de apocalipse zumbi com certa verossimilhança. As pessoas que não foram infectadas tentam se organizar de diferentes formas, levando ao surgimento de diversos grupos.

Entre eles, estão os Fireflies, paramilitares revolucionários que tomaram conta de algumas zonas de quarentena, delimitadas e controladas pela FEDRA, órgão do governo norte-americano, logo após o outbreak, quando a pandemia estourou. No jogo original, Joel e Ellie atravessam o país para levar a menina, imune, a um hospital dos Fireflies em Salt Lake City, Utah, na tentativa de criar uma vacina e salvar a humanidade – o que não funcionou.

Ellie agora tem 18 anos, e suas relações são mais maduras. Após os acontecimentos vividos no final de The Last of Us, ela e Joel vivem em Jackson, Wyoming, onde há uma comunidade relativamente grande e que vive em paz. Depois de algumas complicações durante uma patrulha, Ellie se vê a caminho de Seattle, no norte dos Estados Unidos. A cidade é palco de uma busca por vingança e, em muitas vezes, fica evidente que a jovem menina apresentada no primeiro título da série não é mais a mesma.

Gameplay

A jogabilidade não sofreu grandes mudanças, e as limitações do primeiro game continuam presentes. Apesar disso, a troca de Joel por Ellie enqu

... anto principal personagem controlável dá mais agilidade para se esquivar de situações de risco e deixa a experiência até mais violenta. O silêncio ainda é o melhor caminho, mas há diversas situações em que isso simplesmente não é possível. Portanto, a dica é explorar bem o ambiente para encontrar qualquer coisa que possa ajudar.

Esses itens estão espalhados pelo mapa de forma bastante suave, e é preciso ter atenção ao passar por lugares diferentes. As informações necessárias para missões secundárias durante o jogo, por exemplo, podem estar tanto no próprio cenário quanto em objetos encontrados pelo caminho, sendo interessante ficar de olho em todos os locais e procurar com calma. O game permite um "respiro" após conflitos de grande proporção, e dá um tempo para que o jogador consiga encontrar tudo que lhe pode ser útil nas próximas fases.

Assim como na primeira parte da série, é possível melhorar seu armamento durante o jogo com peças encontradas pelo mapa. Ellie começa com poucas opções, mas vai expandindo ao longo do gameplay. Um ponto interessante é a disponibilidade de munição, que pode variar de acordo com a dificuldade escolhida pelo usuário. De qualquer forma, as balas ficam espalhadas no ambiente, e é preciso derrotar alguns inimigos em silêncio para conseguir enfrentá-los no tiro, se necessário.

Inimigos

Há diferentes tipos de infectados, desde aqueles mordidos mais recentemente até os que ficaram anos e anos vivendo com o fungo em seus corpos. Alguns podem ser combatidos de frente, mas outros precisam de uma abordagem mais silenciosa. Há casos ainda que é melhor nem tentar: se possível, fuja do problema. De qualquer forma, a tensão máxima se dá com Stalkers, infectados muito mais inteligentes e que conseguem despistar o modo escuta de Ellie para atacar.

Entre os humanos "saudáveis", há novos grupos como os Fireflies, já conhecidos do primeiro jogo da série. Em um mundo pós-pandêmico, as comunidades criam regras próprias e fazem de tudo para proteger aos seus. Seja uma milícia armada ou uma seita religiosa, todos tentam derrubar Ellie a qualquer custo, já que desconhecidos totalmente conscientes são uma ameaça a essas organizações. Em Seattle, dois grupos disputam poder, diferente do que foi visto no título original com os Fireflies, e essa guerra "civil" serve de pano de fundo para o objetivo principal do jogo.

Outra novidade é a presença de cachorros, que podem farejar sua presença e revelar a localização para seus humanos, forçando o jogador a mudar constantemente seu esconderijo. Mais uma vez, a dica é explorar bem o ambiente e usar os objetos encontrados a seu favor para despistar os inimigos.

Ambientação

O cenário pós-apocalíptico da série continua, e aparece em diferentes roupagens. O jogo mostra desde montanhas até praias, com frio e calor. Ambientes mais úmidos têm diversas poças d'água que podem facilitar a vida dos Clickers, infectados com uma espécie de "super-ouvido", revelando a posição de Ellie no mapa. Já no calor e com sol, humanos não-infectados podem avistar a personagem sem dificuldade, sendo necessário redobrar os cuidados.

A cidade de Seattle, onde se passa a maior parte da história, está destruída não apenas por conta do outbreak, mas também pela guerra entre os diferentes grupos. Portanto, ruas quebradas e tomadas pela água, shoppings com rios em seu interior entre outros exemplos de domínio da natureza fazem parte da ambientação do jogo. O usuário pode explorar também a grama alta em alguns locais, uma forma interessante de se esconder para agir de forma silenciosa.

Os sons apresentados durante o jogo também fazem a diferença – por isso, fica a dica do headset ao jogar. Seja para revelar a posição de um Stalker, que não aparece com facilidade no modo escuta de Ellie, ou apenas para imergir no mundo do jogo, vale a pena ouvir com calma tudo ao seu redor.

A violência com que a protagonista precisa matar infectados é mais um ponto que ganha força com o som, dando evidência a ruídos como o barulho dos "galhos" causados pelo fungo nos infectados quebrando ou até mesmo o esguicho de sangue ao cortar a garganta do inimigo. Para quem gosta de games realistas nesse sentido, The Last of Us 2 é um prato cheio.

Atenção aos detalhes

Assim como aconteceu na primeira parte da série, o game da Naughty Dog explora bem os detalhes. No mapa, Ellie encontra não apenas mantimentos, mas também itens colecionáveis, anotando algumas impressões em um caderno que o usuário pode acompanhar para entender melhor o que se passa na cabeça da protagonista.

Os próprios infectados e suas diferentes formas ganham detalhes sutis, como a roupa utilizada, que, mesmo desgastada, indica diferentes posições na sociedade "antiga". Há soldados da FEDRA, civis com roupas comuns, entre outros. Em alguns casos, eles até mesmo derrubam itens como álcool, pano de tecido e munição.

Nos ambientes do "mundo antigo", é possível encontrar referências ao nosso mundo. Há consoles como PlayStation 3 e PS Vita – lembrando que o outbreak acontece em 2013, na narrativa do jogo –, e também outros jogos da desenvolvedora, como Uncharted 2. Também é possível ver capas de álbuns de bandas conhecidas e cartazes de filmes, além de quadros com planejamentos comerciais, por exemplo.

Uma novidade interessante, mas que faz pouca diferença para o gameplay, é a possibilidade de tocar violão, o que acontece em alguns momentos do jogo. Apesar de ser um detalhe, houve uma atenção especial dessa habilidade de Ellie, já que, além de músicas pré-determinadas, o usuário pode "praticar", escolhendo entre os acordes dos diferentes campos harmônicos. Fica um pouco confuso controlar a mão direita, mas é interessante ver o cuidado com que esse ponto foi desenvolvido.

Conclusão

Para quem esperou sete anos para continuar a história de Joel e Ellie, The Last of Us 2 não deve decepcionar. Apesar de mudar um pouco a percepção quanto aos protagonistas, o game surpreende no enredo e pode ser difícil parar de jogar em alguns momentos. É bom respirar de vez em quando, seja para descansar os olhos ou para absorver todas as informações. O gameplay, mais uma vez, é um ponto positivo, com mapa que permite uma boa exploração e inimigos ainda mais difíceis de enfrentar, sendo necessário pensar com cuidado seus passos para derrotá-los.

A ambientação também merece destaque, e o jogo permite uma grande imersão nesse mundo pós-pandêmico. Algumas referências ao mundo antigo encontradas ao longo do game são interessantes, e vale a pena ficar de olho a avisos, posters e panfletos espalhados pelas paredes abandonadas após o outbreak. Para quem gosta de desafios, escolher os modos mais difíceis vai ser mais agradável do que ser estressante, mas não vale a pena ficar preso e deixar de seguir a história.

As reviravoltas chamam atenção ao longo da trama, e o jogador vai ficar confuso em alguns momentos. Apesar disso, os flashbacks ajudam a entender melhor tudo que está acontecendo – e até o que já aconteceu. A construção do enredo está ainda melhor em relação ao The Last of Us original e o usuário fica preso aos acontecimentos até o fim. O jogo fica disponível para comprar a partir do próximo dia 19 de junho e já está em pré-venda na PSN e nas principais lojas do varejo nacional.

Ainda vale a pena comprar o jogo The Last of Us? Comente no Fórum do TechTudo



>>> Veja o artigo completo no TechTudo