Chico Mendes, ativista político e ambiental brasileiro, recebe uma homenagem do Google nesta terça-feira, quando completaria 71 anos de idade. O sindicalista lutou em defesa dos seringueiros na Amazônia - grupo do qual fez parte - e contra o desmatamento da floresta. Chico atuava em manifestações pacíficas, chamadas de “empates”, em que os seringueiros protegiam as árvores com seus próprios corpos.

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Nascido em Xapuri, no Acre, Chico criou desavenças com grandes latifundiários e acabou assassinado na porta de casa por dois fazendeiros. O atentado aconteceu em 1988, uma semana após seu aniversário de 44 anos. 

Google homenageia Chico Mendes com Doodle (Foto: Reprodução/Google)

O Doodle que substitui a logo do buscador nesta segunda, mostra Chico retirando a seiva de uma árvore na Amazônia, atividade que praticava desde criança. Após a morte, o ativista recebeu homenagens como a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, do Parque Chico Mendes em Osasco e diversas ruas pelo Brasil receberam seu nome.

Quem foi Chico Mendes?

Chico Mendes cresceu em meio à grande exploração de mão de obra de seringueiros na Amazônia, em uma relação que ganhava contornos de semiescravidão, graças ao aviamento. O sistema de troca de mercadorias pelo produto do extrativo gerava uma sociedade endividada e em permanente miséria. Com a ditadura militar nos anos 70, o cultivo de seringais deu lugar à especulação fundiária por conta da pecuária. Isso levou a grandes desmatamentos, colocando o jovem ambientalista em confronto direto com grandes donos de terra.

Diferente de outros seringueiros, Mendes sabia ler e escrever, e tinha considerável arcabouço cultural. Usando de sua oratória e influência, presidiu duas unidades do Sindicato dos Trabalhadores Rurais em 1975 e, depois, em 1983, intensificando a luta contra latifundiários após a morte de seu amigo Wilson Pinheiro, assinado por ter liderado movimentos grevistas.

Frases de Chico Mendes

Chico Mendes dedicou sua vida para mostrar que é mais vantajoso tanto ambientalmente quanto economicamente manter uma floresta em pé do que derrubá-la, algo apoiado por estudos científicos anos mais tarde.

“No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade”, disse Chico Mendes, em uma de suas incursões pela floresta, ao lado de sindicalistas e outros parceiros na defesa da Amazônia.

O ex-seringueiro tornou-se referência internacional de defesa dos direitos humanos e meio ambiente, tendo sido tema do documentário "Quero Viver", produzido pelo cinegrafista inglês Adrian Cowel e lançado em 1987, e tendo ganhado o prêmio Global 500, da ONU, e a Medalha de Meio Ambiente da Better World Society, nos EUA.

Mesmo com reconhecimento do exterior, Chico Mendes não deixou Xapuri, interior do Acre, onde lutava para conseguir regularizar terras fruto de conflito fundiário, ao mesmo tempo em que tentava criar reservas extrativistas. Os trâmites legais, porém, eram lentos demais e não evoluíam nos órgãos governamentais, que deveriam ser os responsáveis pelas autorizações e gerenciamento das terras no estado.

Em 22 de

... dezembro de 1988, uma semana depois de seu aniversário, Chico Mendes foi assassinado em uma emboscada nos fundos de sua própria casa, a mando do grileiro de terras Darly Alves. O sonho do ambientalista, porém, se concretizou em parte dois anos depois justamente por causa de sua morte, que mobilizou a imprensa a política nacional. As primeiras Reservas Extrativistas na Amazônia foram criadas em março de 1990, tornando-se o grande legado de Mendes e ajudando a formar o conceito de desenvolvimento sustentável defendido na Rio 92.

*Colaborou Paulo Alves

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